“Esqueça o trânsito caótico, a urucubaca política, a lista de compras para o natal, o tal balancete no final do ano. 
Deixe de lado a cobrança interna, a  dívida externa, a tão eterna dúvida. 
Viver é assim. 
Não há como negar. 
Para ficar ligado é preciso saber desligar. 

Fácil? Nem tanto.  

Descobrir qual é o seu tempo é tarefa nobre: exige um grande conhecimento sobre si mesmo. Portanto, esqueça o relógio.

Seu tempo está dentro de você.  
Chega de viver com a ansiedade no colo e o celular na mão. 

Não deixe a agenda ocupar - sem querer - o lugar do coração. 

Respeite sua hora. 

Desacelere. 
TURN OFF. 
Mais do que correr, é preciso saber parar. 
Não adianta viver no piloto-automático e deixar de sorrir.
Nem tirar folga e levar uma enorme culpa dentro da mala. 
O mundo lá fora exige produtividade e imediatismo.
Aqui dentro, corpo e alma pedem menos, muito menos. 
Como fazer, então, para conciliar tempos tão diferentes? 
A resposta não está em livros, mas dentro de cada um. 

Quer tentar? Respire fundo. Desencane. Perca seu tempo com você!

É uma responsabilidade enorme desconectar-se, eu sei.

Mas vida ao vivo é pra quem tem coragem. 
Coragem de arriscar. 
Cuidado em saber a hora certa de parar.
Difícil? Pode ser. 
É um exercício diário que exige confiança e um amor incondicional por tudo o que somos e acreditamos. 
Uma aceitação suave dos próprios defeitos, um rir de si mesmo, um desaprender contínuo, um aprender sem fim sobre o que queremos da vida.
Não importa se tudo parecer errado e o mundo virar a cara para você.
Esqueça. Se esqueça. Hora de se perdoar.
RENASÇA.
Eu sei pouca coisa da vida, mas uma frase eu sigo à risca: é preciso respeitar o próprio tempo.
E eu respeito! Acredito no que diz o silêncio na hora em que a mente cala.
E meu silêncio - que não é mudo e também escreve -  dita com voz desafiante: confie em si mesma. 
Quebre a rigidez. Ouse. Brinque.
Desligue-se. Só assim você vai transformar vida em letra e letra em vida. 
E ter coragem e fôlego pra ser VOCÊ, no momento em que o mundo te atropelar sem licença e disser: CHEGOU A HORA!”


(FERNANDA MELLO)

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