Cala-te coração,
Eu te reprovo, te censuro.
Não derrubes o muro
Do silêncio,
Disfarça a amargura,
Num sorriso que não cura,
Mas te fantasia de não.
O sim não te traz proveito,
Tem algo de proibido,
Hostilizado no preconceito,
Desrespeitado e invadido
Na força da tua dor.
É só teu este amor
Então não te exponhas,
Não renuncies, mas não deponhas,
Pois não és réu, és amante.
Cala-te coração,
Mas leva adiante,
Carrega contigo no peito,
Na alma, no olhar,
Num gesto mudo de vida,
O que esta vida que fala
Jamais compreenderá.
Por favor, coração, te cala,
Ninguém te impedirá de sonhar.
(Francisco Simões)

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